sábado, 29 de agosto de 2009

CARTA A UM MARCIANO: Censura é em regime de exceção



"Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independente de fronteiras." (Art. XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos).


Alô, Alô, marciano, aqui quem fala é da Terra. Conseguiu entender o texto? Qualquer terráqueo pode , segundo a nossa organização mundial, dizer o que pensa em qualquer meio de comunicação. Até em blogs, entendeu? Digo isso a você marciano, por que você é um ET. Sendo um carinha de outro planeta, as vezes não entende bem as nossas línguas. Esse trechinho aí em cima existe também com o mesmo conteúdo em espanhol, inglês, francês, alemão e italiano. Mas também em russo e grego. E ainda em chinês, japonês e coreano. E seguramente está no árabe e no hebraico. A liberdade de imprensa é fundamental numa sociedade humana, entende? Para os seres comuns, para os jornalistas, para os blogueiros. Nem sempre foi assim. Existiram os chamados regimes de exceção, que foram as famosas ditaduras. Foram tempos difíceis, de prisões e redução da autonomia do terráqueo. Mas isto acabou marciano. Todavia, alguns esquecem desse detalhe. Querem voltar às páginas infelizes de nossa história, como disse Chico Buarque. Quem é ? É um artista. Ele pensava e não podia exprimir seus sentimentos. Eles se exilavam para outros países onde havia mais liberdade de expressão. Mas agora o nosso país tem uma constituição. Veja o que diz: desde 5 de outubro de l988 em seu artigo 220: “a manifestação do pensamento não sofrerá nenhuma restrição”. e, nos parágrafos 1º e 2º, veda totalmente a censura, anulando a possibilidade até mesmo de qualquer mecanismo legal que "possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística, em qualquer veículo de comunicação social". Até em blogues, entendeu marciano? Você me pergunta sobre as religiões. Historicamente uma igreja publicou um Index librorum prohibitorum, isto é, uma relação de obras cuja leitura era terminantemente proibida aos seus fiéis. Na internet, que já existe em Marte há muitos séculos, você já viu essa repressão a liberdade? Não? Em Marte há plena liberdade de expressão e é respeitada? Que bom! Aqui tem gente poderosa que tem saudade dos tempos em que a vontade era de quem tinha dinheiro e poder. Mas nós temos uma lei e uma justiça, que existe para fiscalizar e fazer cumprir a mesma lei. Temos que ficar de olhos bem abertos, para que os saudosistas não se façam de desentendidos e voltem às suas práticas de censura e opressão. Saudações ao planeta vermelhinho.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

domingo, 23 de agosto de 2009

A PANDEMIA DO MEDO


Realmente estou achando interessantíssimo toda essa onda de higiene que tomou conta das mentes de todas as idades. Estou tendo a oportunidade de observar a preocupação com o asseio e com a esterilização em pessoas que antes eram quase que totalmente inconscientes da realidade micorecológica de nosso mundo. Entretanto a pandemia de medo, fez com que certas pessoas perdessem o bom senso. Pedem-me vacina homeopática para a gripe suína. Ora, isso é uma inconseqüência, que eu, como médico, não posso indicar. A homeopatia é realmente uma farmacotécnica que propõe a ultradiluição de um mal para prevenir as pessoas contra aquele mesmo mal. Mas isso jamais se aplica a uma questão como a Influenza A. Estão divulgando na internet uma receita homeopática como se fosse uma vacina, mas decididamente não é. Trata-se do Oscilococcinum, um autolisado filtrado de fígado e coração de pato, que é muito bem indicado para infecções do trato respiratório superior e do Influenzinum. Este último é uma preparação bem definida, cuja fonte vem do Instituto Pasteur proveniente de cultura de duas variedades de vírus: uma sendo da banal APR-8 e outra A Singapura 1-1957. Esta última é aquela da gripe asiática. A proporção desta mistura é de três partes do vírus asiático e uma parte do grupo europeu. Estes vírus são cultivados sobre embriões de galinha e titulados pela reação de hemaglutinação de Hirst após purificação, concentração e inativação pelo formol. A fonte de Influenzinum é titulada em 500 unidades hemaglutinantes por mililitro. Vale dizer que o Instituto Pasteur prepara especialmente a mistura para utilização homeopática. Essas duas preparações são eficazes no tratamento sintomático de afecções respiratórias, mas jamais podem ser consideradas como vacinas. Estou divulgando esses detalhes por que é possível que alguém tome a medicação homeopática e se contamine com o vírus H1N1 e venha a óbito. Poderão inculpar a prevenção homeopática? É claro que não. Se em Macaé, a prefeitura preferiu correr esse risco, é uma decisão política e não médica. Eu fico com a decisão médica: não há vacina homeopática, apenas medicamentos cuja experiência clínica indica uma ação sintomática, mas que não é curativa e muito menos preventiva da gripe. Sempre tive muito medo do risco do charlatanismo. Apregoar cura ou prevenção de algo que não possa ser comprovado abertamente na comunidade científica é charlatanismo. A Homeopatia, praticada por médicos conscientes que a empregam com parcimônia e como complementaridade à medicina oficial é a marca da ética e do profissionalismo.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

sábado, 22 de agosto de 2009

Carta a uma leitora do blog do Roberto Moraes ( vale para a Rede Blog)

Eis um bom motivo para que os blogs cresçam e se mantenham como a rede de informação principal de nossa cidade.
Uma leitora do blog do Roberto denunciou uma grande rede de supermercados que todos sabemos qual é. No espaço blog não é necessário ser grosso e nem deseducado. Para bom entendedor pingo será letra sempre. Os espaços de comentários que deram origem ao processo contra Roberto é que são o grande valor dos blogues. Isso é democracia, é participação, é liberdade de expressão, é cidadania e é caráter.
Reproduzo aqui a minha resposta , isto é o meu comentário ao excelente Blog do Roberto Moraes, que é a nossa referência jornalística em Campos. Viva os Blogues e abaixo a ditadura da informação censurada. Eis meu comentário:

Caríssima Cíntia, escrevi no Monitor sobre "O medo da pandemia".

Hoje saiu no mesmo jornal, em minha coluna: " A pandemia do medo". Entretanto, eu gostei muito de sua percepção: "A pandemia do oportunismo".
Isso que voce disse é verdadeiro.

O Dr. Charbel Kury, coordenador da Epidemiologia, já ensinou como fazer o álcool 70 %: comprar um litro de álcool comum , baratinho, retirar um copo (200 ml) do mesmo e completar a garrafa com um copo (200 ml) de água filtrada. Esse é o álcool 70%, que não é tão inflamável e que demora mais a evaporar, sendo portando mais antisséptico.

Existem farmácias também vendendo "fórmulas de vacinas homeopátcas", que eu como médico que pratiquei a homeopatia por 25 anos, não reconheço e nem recomendo, pois considero que não há vacina homeopática e que além disso, tira o foco principal que é a higiene e a política sanitária.

Abraços a todos e a quem tiver qualquer dúvida sobre minha opinião , recomendo que não comprem remédios homeopáticos contra gripe, a não ser que seja prescrito por um médico homeopata.

sábado, 15 de agosto de 2009

Sincronicidade : Globo X Record. Folha X Roberto.

Não parece uma coisa interessante a sincronicidade dos eventos?


Duas ações dos detentores do oligopólios da informação contra aqueles que os parecem ameaçar. Refiro-me ao ataque da Globo à Record e ao processo movido pela Folha contra o blog do Roberto.

E digo “parecem ameaçar” por que a sensopercepção alterada dos poderosos os leva a certas idéias deliróides, quando sentem-se perseguidos e melindrados em sua pretensa superioridade.

O notável psiquiatra suíço Carl Gustav Jung preconizava que havia um inconsciente coletivo que muitas vezes governava os nossos fluxos de pensamento.

Nesse caso, a coincidência é de tal modo impressionante que nos leva a considerar a veracidade da teoria junguiana. É o momento dos poderosos incomodarem-se com os que começam a aparecer.

De modo nenhum quer comparar a Folha à Globo e muito menos o blog do Roberto à Record.

Entretanto a semelhança das situações em plano nacional e em plano municipal são por demais evidentes, principalmente por haverem eclodido quase que simultaneamente.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O ataque ao amigo Roberto Moraes

Conheci o Roberto Moraes na infância, pois fomos colegas de curso primário. Desde então uma amizade que era uma hernça da amizade de nossos pais, Clóvis Tavares e Joêmio Pessanha, permanece viva.

O trabalho de informação ética e saudável que Roberto vem fazendo em Campos criou uma série de conjunções que resultaram entre outras coisas na Rede Blog, capitaneada pelo nosso amigo Vítor Menezes.

É extremamente melancólico assitir a esse triste episódio que assume a forma de uma ação judicial em que um veículo de oponião pública outrora respeitável, se entrega agora, denunciando publcamente o seu ocaso existencial e sua degradação moral, ética e social.

Triste fim de um jornal. Meus pêsames a esta "folha seca", que não é o drible de Didi, mas os restos mortais do que já foi um diário matutino respeitável de nossa cidade.

Maria Cândida Freitas Cunha

Despediu-se deste mundo na data de ontem a fonoaudióloga Maria Cândida Freitas Cunha, esposa do Prof. Dr. Marianto Cunha Filho, pediatra consagrado de nossa comunidade.

Maria Cândida era uma pessoa de presença marcante pela sua simpatia e por sua ação generosa e amável. Como fui seu vizinho de consultório durante alguns anos no Edifício Fleming, testemunei por diversas vezes a sua bondade e seu zelo com as crianças a quem amava.

Dona de cultura invejável, piedosa e religiosa, estou certo de que sua alma alçará os vôos a que sempre almejou segundo a sua fé , sua esperança e a sua caridade.

Deixa o marido, o nosso amigo Dr. Marianto, que havia poucos dias lançado o seu livro de Pediatria em nossa cidade e um filho já formado e a quem era muito ligada pelos laços insondáveis do espírito.

Deus receba a nossa amiga com os méritos a quem fez jus.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O MEDO DA PANDEMIA


O MEDO DA PANDEMIA
Conta-se que certa vez a Peste Negra era esperada numa aldeia européia. Corria o século 14 e o medo da morte campeava impunemente. A devastação, a epidemia, os cadáveres nas ruas, as baixíssimas condições sanitárias e de higiene, o desconhecimento científico, tudo contribuía para o pânico geral. A fábula a seguir é uma caricatura de nosso momento atual em relação à gripe suína. A aldeia estava esperando pela peste. Os ratos já andavam por lá. Aldeias distantes já contavam seus mortos. Um dia morreram dois. Depois mais três. Afinal haviam morrido 110 dos 300 moradores. Um homem tomou a sua trouxa com alguns pertences e fugiu no rumo das montanhas. Logo ao começo da estrada cruzou com uma velha senhora que vinha para a aldeia, cantando e dançando. Abordou-a: "Minha senhora, não vá a essa aldeia! A peste está matando todos! Fuja!" Mas, a idosa peregrina soltou uma gargalhada e disse: "Como pode ser? Eu sou a Peste e ainda nem cheguei lá! Quantos morreram?" "Até ontem eram cento e dez" "Pois na minha lista só iria levar cinquenta e seis". "Mas, então, de que morreram esses mais de centena?" "Foi o Medo, chega sempre antes e mata mais do que a Peste!". É por isso que eu fico a meditar com os meus botões? Por que ao invés de suspender as aulas, não se dá aulas ao ar livre? Por que ao invés de adiar o início do semestre, não se abre as janelas das escolas e desliga-se de vez o famigerado ar condicionado? Aliás, banco não tem mais janela, ônibus não tem mais janela, tudo é hermeticamente fechado com o arzinho viciado e frio, propício para o cultivo e a disseminação de todas as espécies de vírus e bactérias. Quem nunca se gripou após uma viagem de ônibus? Quem nunca viu um filho com pneumonia por causa do ar condicionado da escola? Abram as janelas. Diz um antigo ditado que onde não entra o ar, entra o médico. Creio que esse pânico da gripe suína está matando. A equivocada moda arquitetônica do claustro geral, onde não se vê mais ambientes aerados por amplíssimas janelas, só aquela refrigeração artificial, gera uma grande circulação de vírus e muitas contaminações. É o calor? Que venha o calor quente que nós estamos fervendo de vida! Pior é viver como se estivéssemos na Europa, com o fantasma da gripe em nossas mentes, fingindo que nosso país é frio, com todos os ambientes claustofobicamente fechados. Quantas pessoas desenvolveram transtornos de pânico em ônibus e em ambientes confinados? Se é para suspender as aulas, fechem-se os bancos, as igrejas, os cinemas, os teatros, proíbam-se as apresentações públicas de cantores. Mas não se espalhe o medo. Ele mata. Abram-se janelas, deixem o ar entrar e vamos continuar vivendo.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

sábado, 8 de agosto de 2009

VERÔNICA , A PIEDOSA


Verônica, livre do seu drama fita, de Jesus a face. E o observa afastar-se envolvido pela massa humana. Queria chorar, fazer sua catarse, mas algo continha sua gana. Como refazer sua vida, se já não podia voltar aos seus? Movida, então, por uma energia que dentro de si ainda corria, decidiu por fim viver para Deus. Encontrou o Senhor que buscava nas pessoas dos hansenianos. Pensava as suas lesões sempre aplicando um pano
na face daqueles seres humanos. Era assim que se consolava e animava os seus corações. Passaram-se dois anos de lutas e ela sentiu uma forte vontade de deixar aquelas grutas dos seus amigos lázaros. Saiu então daquela cidade e foi para muito mais além. Como a mulher que enche os cântaros, com fé, foi para Jerusalém. Ao chegar a capital uma triste revelação calou fundo em seu coração. Jesus fora condenado sem haver cometido sequer um pecado. E a sentença final, publicou-se no edito, era a crucificação. Vê, então, ao longe a multidão seguindo um homem e sua cruz. Sente, de novo, a mesma sensação do dia em que viu a intensa luz que emanara do peito de Jesus
libertando-a de sua danação. Ela estava perplexa diante do quadro que via: os ingratos e sua zombaria. Como entender esta situação complexa? Viu consternada, a Santa Face mutilada e ensangüentada daquele que um dia a salvara para que não se humilhasse. Era aquele mesmo que a curara. Sentindo-se impotente, imensamente indignada, quis gritar àquela gente, quis lutar por seu Senhor. Percebeu enfim, do nada, a sensação do tremor. O olhar de Jesus o seu fitava e encheu-se de temor. Vendo verter gotas rubras onde os acúleos penetravam, pensou: Há algo que cubra ou suavize as dores que o cravam? Mais uma vez Verônica encontrou espaço entre o povo que ensandecido gritava. E aproximando-se lacônica, agora com outra intenção, sob a visão irônica, tocou aquele que amava. Se o Seu manto lhe curara há muito tempo havia ao simples toque de fé, sua grave hemorragia, então ajudaria aquele a quem buscara: O Jesus de Nazaré. Daquela face o sangue vertia impunemente. Tomou então o seu manto e fez o que tinha em mente: Cobriu o rosto santo que continuava exangue. Foi assim que naquele calvário a que outrora Ele curara compôs o santo sudário. E ela julgou escutar um sussurro transcendente: -Seja sempre relembrada a sua ação comovente. Nesse instante um homem bruto afasta-a daquele avatar que lhe dirige o olhar como o brilho de uma estrela que ao seu espírito em luto era impossível descrevê-la. Eis a história desta mulher que duas vezes buscou um homem entre a multidão. Da primeira, o Seu manto a curou do sangue que ela vertia. Na seguinte o manto dela suavizou a Sua Paixão e marcou como numa tela, uma hematografia. Esta mulher piedosa é símbolo de coragem.
Pois enfrentou impetuosa a fúria do homem. E para testemunhar a sua gratidão, tocou para suavizar, com a sua adoração, o semblante de Jesus. Que embora pálido e triste, irradiou a mais intensa luz que existe!
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

sábado, 1 de agosto de 2009

UM TEXTO DE CLÓVIS TAVARES : ...E NA HORA DE NOSSA MORTE


Melhor aproveitando o espaço desta coluna, apresento aos leitores um texto em que meu pai, Clovis Tavares comenta as palavras de Jesus: “Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito”(Lc.23:46):
“André Maurois, lembrando as últimas palavras de algumas figuras notáveis da velha Europa, deixa-nos concluir que esses vultos do passado assumiram, na hora da morte, as mesmas posições mentais dos seus dias de luta, de saúde, de trabalho.E cataloga o escritor: Carlos II, da Inglaterra, morre como rei, como gentleman: ‘Levei um tempo incrível para morrer; espero que me desculpareis.’ Richelieu, como ministro: ‘Perdoais a vossos inimigos?Não tenho outros que não os do estado’. Corot, como pintor: ‘Espero que possa pintar o céu.’ Chopin, como músico: “Tocai Mozart em minha lembrança”. Napoleão, como chefe: ‘França ... Exército ... vanguarda do exército.’ Cuvier, como anatomista: ‘A cabeça começa a comprometer-se.’ Halle, que além de filósofo era médico, examinou seu pulso até o fim e falou a um colega: ‘Meu amigo a artéria cessa de bater’. E morreu. Lagny publicara no começo do século XVIII um método infinitamente novo e abreviado para extração de raízes quadradas e cúbicas. Quando estava á morte, e já não reconhecia amigos, parecendo completamente inconsciente, alguém lhe pergunta: ‘Lagny, qual é o quadrado de doze?-Cento e quarenta e quatro – respondeu. E expirou.’ O Evangelho de Jesus Cristo nos ensina que cada um morre como vive. Quem vive bem, na luz e na virtude, morre bem e bem desperta na vida eterna. É o que significam as palavras do Mestre afirmando também a veracidade do contrário, dirigidas aos saduceus rebeldes e endurecidos de coração, que buscavam somente os interesses desta vida, desprezando a vontade de Deus: ‘Vós morrereis em vossos pecados’. (Jo. 8:24). Morreremos como houvermos vivido: o nosso último minuto sobre a terra será o reflexo positivo e fiel de todos os minutos de nossa vida. Não foi sem razão que Kipling compreendeu tão bem o valor dos sessenta segundos. Morreremos como houvermos vivido na face deste mundo, onde Deus espargiu tantas coisas belas e onde os homens tem semeado tantas misérias e corrupções.”
É por esse mesmo motivo que ao compor este espaço gentilmente a mm cedido pelo Monitor Campista, tenho procurado trazer motivações de reflexão filosófica e moral, no sentido da nossa estabilidade emocional e espiritual. E este texto de meu pai, como outros que apresentarei aqui servem a este propósito.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

domingo, 19 de julho de 2009

O PLANO DE DEUS (Monitor Campista- 18/07/09)


É comum o ser humano buscar a felicidade através da satisfação de seus desejos. Todos temos anseios revelados ou não. É possível conquistar os objetos de nossos desejos, se costumamos almejar coisas possíveis. A luta em busca do objeto é sempre muito empolgante. É possível que nós tenhamos sempre em mente projetos a curto e a longo prazos. Geralmente os projetos a curto prazo podem ser representados por objetos mais facilmente alcançáveis. Um estudante em fim de período letivo tem como objetivo a curto prazo a aprovação nos exames finais. A médio prazo pode ser ingressar na universidade. E a longo prazo, uma família, o diploma de curso superior, estabilidade financeira. Existem planos que são sonhos. Uma moça pode sonhar tornar-se modelo internacional ou um garoto um jogador de futebol da seleção brasileira. Estes projetos são sonhos por que não dependem apenas do empenho pessoal, mas de conjunturas complexas de nossa sociedade capitalista e excludente, onde imperam a injustiça e o desamor. Isso não impede que muitos jovens mantenham acesa a chama de seus sonhos “impossíveis”. Entretanto, partindo do princípio de que existe uma determinação superior para as nossas vidas, podemos questionar: qual é o plano de Deus para as nossas vidas? Será que nossos anseios correspondem exatamente ao projeto que Deus tinha quando nos criou? A realização dos nossos projetos pessoais vai tornar a nossa vida mais agradável aos olhos de Deus? Se nós somos movidos por instintos, é possível que os nossos desejos estejam a serviço de nossa biologia. A vida animal é movida pelos instintos de sobrevivência individual e da espécie. É a instintividade que comanda as ações dos mais diversos seres vivos. Se um jovem almeja ser ator de televisão, ele usará todos os meios possíveis para tornar-se conhecido pelos diretores da televisão. A sua exposição à mídia será o seu cartão de visitas. Se ele quiser ser jogador, precisará ser observado por um olheiro de grandes clubes. Isso nem sempre é provável. Na busca da realização do sonho, é comum o jovem desperdiçar enormes oportunidades de cumprir o plano de Deus. Como então descobri-lo? Não é muito difícil, pos se o nosso criador quer o nosso bem, ele faz um projeto para nos tornar melhores. Deus quer que sejamos menos ególatras, menos ambiciosos, menos invejosos, menos impiedosos, menos individualistas. E consequentemente quer que exercitemos mais a humildade, a tolerância, a caridade. É justamente em situações aparentemente adversas que nós seremos treinados por nosso criador para desenvolver as virtudes mais nobres do espírito. È na carência e não na opulência que vamos descobrir o plano de Deus para as nossas vidas.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

sábado, 11 de julho de 2009

Keeyth Anne no Maracanã no RC 50


É uma honra para mim que a menina doce e meiga que eu conheci pequenina e de quem eu auscultei o coração e a alma está hoje solando divinamente o seu stradvarius para acompanhar Roberto Carlos no Maracanã.

Keeyth querida! Estou feliz por você.


Pode ter certeza que seu tio Flávio vibrou de alegria ao visualizar o seu perfil na tela de minha TV.


Disse para todos os meus filhos: _ Olha, a Keeyth! Ela é minha sobrinha!

Deus te abençoe sempre!


Com saudade e admiração,


Tio Flávio

domingo, 5 de julho de 2009

POBRES DE ESPÍRITO


O Sermão do Monte é a plataforma do Reino de Deus na Terra. Não é tão simples segui-lo. Para obedecer, por exemplo, os Dez Mandamentos, é necessário reprimir as nossas más-tendências, como adulterar, furtar, ambicionar, matar. Entretanto, para obedecer ao Sermão do Monte é preciso mais que reprimir más inclinações. Reprimir é sempre um bom começo. Há tendências psicológicas que aconselham a catarse, mas um seguidor de Freud, Maslow, era favorável a que nós sublimássemos nossos impulsos. Considerava que não deveríamos ser escravos da instintividade. Desse modo, felizes os humildes. Pobre de espírito não é ser ignorante ou fraco de caráter, como é comum se dizer: “coitado, é um pobre de espírito”. Pobre em espírito é o verdadeiramente humilde. Jesus também agradeceu a Deus por ter revelado os temas mais sublimes coisas aos simples e por fazê-los velados aos sábios e orgulhosos. Ser pobre do ponto de vista psicológico é considerar-se sempre necessitado. Para quem é verdadeiramente pobre em espírito tudo é bem recebido. Nada lhes é demais. O orgulhoso é aquele que cobra da vida. Já disse alguém que ninguém é tão rico não tenha necessidade de nada e que ninguém é tão pobre que nada tenha para oferecer. Os pobres em espírito são também chamados também de “pobres de Deus”. Assim eles oram: “Senhor, Aumenta-nos a fé”, “Jesus, filho de Davi, tenha piedade de nós”, “Senhor, salva-nos, pois perecemos”, “Creio, Senhor, vêm em socorro de minha pouca Fé”. Jesus abençoa aqui não espíritos puros, mas espíritos humildes e arrependidos como o publicano, cuja prece é também a de um pobre: “Senhor, apieda-te de mim, que sou um miserável pecador.” Estes pobres em espírito acreditam que tudo é doação, é dádiva extra. As coisas, as amizades, o emprego, o ser atendido em último lugar, o receber uma esmola, a ajuda de um estranho. Em tudo ele vê uma graça de Deus. Sente-se sempre devedor da vida. O seu prêmio é o Reino do Espírito. Para o orgulhoso, o opulento em espírito, tudo lhe parece ser devido. As coisas, as amizades, as informações, os primeiros lugares, as honras, as prioridades, tudo parece um direito natural. Se não podem ser atendidos rapidamente, irritam-se. Se não recebem honras, indignam-se. Facilmente se ofendem. São pessoas de difícil relacionamento. Poucos conseguem agradá-las. Querem pressa e perfeição para tudo, sentem-se sempre credoras diante da vida. O prêmio deles é o mundo! Pobre é o pobre de desejo, de ambição, pobre de ilusões, de exigências, pobre do Ego. Ele é bem aventurado! Ele é feliz! Ele é bem sucedido espiritualmente, mesmo sentindo-se dependente de Deus.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Santa Marina III Parte ( Monitor 27/06/09)


Algumas pessoas me escreveram perguntando sobre o porquê de eu estar me referindo de modo repetitivo a uma personagem assim tão apagada na hagiografia, isto é entre as biografias de santos católicos. Peço perdão aos leitores então, para contar algo muito pessoal. Na década de 30, o mineiro Chico Xavier escreveu dois livros, inspirado, segundo ele, por um antigo senador romano do tempo de Jesus. No segundo deles, há a referência a uma história singular. Uma patrícia romana, de cerca de 18 anos é expulsa de casa injustamente, como se houvesse tido um filho fora do casamento. Ela perambula pela Itália, sozinha com o bebê que não era seu, até que, por um conselho amigo, vai para a cidade de Alexandria no Egito. Esse percurso dura um ano, tempo suficiente para que o pequeno ao seu colo falecesse, vítima das doenças infantis do inverno europeu. Mas este mosteiro era apenas para homens. A moça, que chamava-se Célia, adota o nome Marinho e veste-se de hábitos de monge. Durante sua vida monástica, ocorre a nova acusação já narrada nos textos Santa Marina I e II. Acontece que os arquivos católicos, maronitas e ortodoxos sobre Santa Marina eram praticamente inacessíveis no Brasil na década de 30. E a história descrita no livro de Chico Xavier é muito maior, mais minuciosa e detalhista, revelando a vida cotidiana na Roma e na Palestina do segundo século. No ano de 1939, quando o livro foi editado, Chico Xavier era um datilógrafo de uma fazenda do Ministério da Agricultura, trabalhando cerca de 10 horas por dia. Ele tinha apenas o curso primário, o que corresponde à primeira metade do ensino fundamental de hoje. No ano de 1941, meu Pai, Clóvis Tavares encontrou um livro em espanhol que contava a segunda parte da narrativa de Chico Xavier e ficou muito impressionado, pois os dados eram idênticos e havia uma confirmação impressionante da paranormalidade do mineiro. Ele havia captado, de um modo impecável, dados da vida de uma santa desconhecida. Principalmente para quem vivia numa comunidade rural de Minas Gerais nos anos 30. Quando meu Pai encontrou a prova da veracidade histórica do texto de Chico, levou o livro para ele, que ficou muito feliz de poder confirmar o que sua percepção extra-sensorial havia captado. A Santa Marina era muito venerada em Veneza, na Itália e o seu dia é o 18 de junho. No ano passado eu fiz uma nova busca, desta vez em sítios católicos e maronitas da Internet e obtive novas confirmações que incluí num livro chamado “Célia Lúcius, Santa Marina”, publicado por uma editora de Belo Horizonte e que traz vários documentos históricos comprovando a os escritos de Chico Xavier. Aos interessados estou ao dispor.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Santa Marina II Parte - Monitor 20/06


Levantar os arquivos da vida de Santa Marina não foi muito simples. Ela é pouco conhecida até mesmo entre os católicos. Tenho uma amiga que é freira e mora em Roma. Eu escrevi para ela na época em que fiz as pesquisas sobre esta grande personalidade cristã e fui agraciado com uma série de fotocópias de algumas biografias encontradas nas bibliotecas do Vaticano. Na semana passada, eu contei que Marina iniciou um trabalho com crianças e idosos nas cercanias do Mosteiro de Alexandria, no Egito. Ali, o menino que ela criava, cresceu até a idade de quatro anos, quando foi acometido de violenta gripe que fatalmente o vitimou. As condições em que eles viviam não eram adequadas, pois a região era úmida e fria. Todavia esse fato não abateu a jovem que vivia em hábitos de monge. Certo dia, uma senhora pobre a procurou com o seu filho ardendo em febre. “Irmão Marinho, no Mosteiro não quiseram me receber, mas meu filho está muito mal.” Marina orou com fé e a saúde do pequeno se restituiu. A notícia se espalhou e era comum ver no humilde casebre, romarias em busca de saúde para o corpo e paz para o espírito. Plantaram hortas, pomares, um horto e criavam-se pequenos animais. Era uma pioneira experiência de vida religiosa ativa. Excluída da vida contemplativa, seguiu a sua intuição e abraçou as dores dos pobres e enfermos. A sua vida missionária teria durado cerca de dez anos. Ao fim desse período, embora ainda jovem, estava enfraquecida e doente. Seu leito foi cercado por toda a comunidade que orava fervorosamente para sua cura. Até mesmo os irmãos do mosteiro, percebendo a sua extrema penúria e reconhecendo o valor da sua alma verdadeiramente piedosa, solicitaram o perdão do prior para a mesma. Este reviu a sua posição e permitiu que trouxessem a esquálida enferma (para eles o Frei Marinho) para o interior do Mosteiro, onde estaria protegida do frio intenso. Ali ela viveu os seus últimos dias, a todos perdoando e legando lições de humildade e renúncia quase inacessíveis ao ser humano comum. Quando finalmente ela morre, os irmãos têm uma surpresa assombrosa. Preparando-a para os funerais, reconhecem a sua condição feminina. Contam então para o Prior, que imediatamente ordenou a pompa de um funeral real. Ela foi reabilitada somente após a sua morte. Seus feitos durante seu exílio foram relatados aos superiores e conta-se que a sua canonização se deu sem nenhuma objeção. Para quem se interessar por mais detalhes desta impressionante história, eu publiquei um livro no ano passado: “Célia Lúcius, Santa Marina”, que apresenta documentos históricos e fotos da devoção a esta mulher impressionantemente maravilhosa.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Santa Marina I parte (Monitor 13/06/09)


É comum escutar o nome Santa Marina associado a uma conhecida marca de aparelhos de jantar em peças de vidro resistente. É, no entanto, pouquíssimo ou nada conhecida a personagem canonizada pela Igreja Católica no século V. Sua história ficou conhecida no ocidente a partir do século XI, quando suas relíquias foram trazidas para Veneza por Godofredo de Bouillon, o herói da primeira cruzada. Em ação política na cidade de Alexandria, no Egito, descobriu ele o culto popular a esta desconhecida personagem e encantou-se com a sua história. Descobriu o nobre bolonhês que a estranha moça internara-se num mosteiro católico na cidade de Alexandria, provavelmente no segundo século, e lá vivera um drama comovente. De provável origem nobre, a moça ficara órfã e para proteger-se da maldade humana travestiu-se de homem e asilou-se num monastério cristão. A história de Santa Marina espalhou-se pelos arredores de Alexandria e pelo chamado arco Mediterrâneo, convertendo-se num mito. È reconhecida no Egito, no Líbano, na Europa oriental e na ocidental, especialmente em Veneza. A sua biografia é encontrada nas línguas árabe, siríaco, italiano, espanhol e inglês. É venerada pelos católicos, maronitas, ortodoxos russos e ortodoxos gregos. Os Mosteiros daquela época eram exclusivamente para homens. Ela, então, vestiu-se como o pai, que era também religioso. Apresentando as credenciais paternas, foi aceita na clausura como um jovem emberbe sob o nome de Frei Marinho. Foi submetida então, aos duros encargos de um noviço. Da limpeza à provisão do monastério. Era encarregada de periodicamente deixar a sua cela e encaminhar-se à cidade mais próxima para comprar mantimentos. As distâncias eram percorridas a pé. Periodicamente então, ela caminhava alguns quilômetros celeremente para adquirir os gêneros alimentícios para a comunidade. Pernoitava na estalagem do próprio fornecedor e retornava no dia seguinte ao convento. Moravam nesta estalagem o fornecedor e sua filha. Esta se encantou com o jovem noviço e declarou-se para “ele”. Naturalmente, Marina esquivou-se da sedução, dizendo-se fiel aos seus votos. Tempos depois, a inquieta moça engravida e conta ao seu pai, o fornecedor, que havia sido seduzida pelo Frei Marinho nos seus pernoites na estalagem. O pai vai imediatamente comunicar o fato ao prior do convento. O Frei Marinho é acusado diante de todos os frades e não se defende. É expulso da comunidade e quando nasceu o bebê, o prior permitiu que ele morasse num casebre frio com o pequeno, sem, no entanto ter direito algum na irmandade. Ali o Irmão Marinho criou o seu “filho”, plantou um pomar e fundou uma pequena escola. Continuaremos.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

domingo, 14 de junho de 2009

Programa de saúde total às comunidades rurais e assentamentos


Cerca de 400 pessoas, entre crianças, adultos e idosos, foram atendidas ontem no Assentamento Dandara dos Palmares, durante todo o dia, na Jornada de Saúde e Cidadania, promovida pela Secretaria Municipal de Saúde, através da superintendência de Saúde Coletiva e estudantes do Curso de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense. “A proposta é levar assistência médica às comunidades mais distantes do município”, afirmou o superintendente de Saúde Coletiva do município, médico César Ronald, destacando a importância da ação, porque em muitas dessas localidades, os moradores não dispõem de tempo nos dias de semana para procurar atendimento médico. “O projeto vai atender a todos os assentamentos e acampamentos dos sem-terra e comunidades quilombolas do município”, explicou acrescentou.


Na foto , o diretot do Centro de Referência e Tratamento da Criança e do Adolescente, o Dr. Luís Alberto Mussa Tavares está pessoalmente atendendo as crianças.


Estas comunidades são as que registram maior índice de deficiência no acompanhamento ao pré-natal e baixa cobertura vacinal. “Hoje (ontem) estas comunidades estão recebendo vacinação contra tétano, hepatite B, pneumonia e paralisia infantil, além de aferição de pressão arterial, medição da taxa de glicose, atendimento clínico e pediátrico. Os adultos também estão recebendo orientações sobre doenças sexualmente transmissíveis, com distribuição de preservativos”, explicou o superintendente de Saúde Coletiva.


Além do Assentamento Dandara, outras comunidades, como o Assentamento Josué, Acampamento Madre Cristina e povoado da localidade de Periquito, estão sendo atendidos. O assentado Carlos Alberto Vargas, 44 anos, aproveitou o sábado para levar a filha Maria Madalena, de 2 anos, para colocar o cartão de vacina em dia e passar por uma avaliação médica. “Minha filha não estava com o cartão de vacina em dia, porque é muito distante ter que levá-la para vacinar. Eu também, há muito tempo não vou a médico. Esse tipo de atendimento é de extrema importância para nossa comunidade”, disse Carlos Alberto.
(Fonte: O Diário 14 de junho de 2009)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A LEI SOCIAL DO EVANGELHO (Monitor 06/06/09)




Jesus pregou a Justiça Social que deveria começar pelo coração dos homens. Dessa forma falou às multidões, mas teve piedade do povo faminto. Não se esqueceu de alimentá-los. Para a maravilha da centuplicação dos pães, impôs Jesus uma regra: que se assentassem e permanecessem calmos. Depois, que se dividissem em grupos de cinquenta e cem. Logo, Jesus pediu para que aqueles que tivessem algo em poder particular, que fosse oferecido para proveito de todos. Foi dessa forma, com ordem e despojamento que se produziu o fenômeno conhecido por multiplicação. Organização e desapego aos próprios bens. Esses são os pressupostos fundamentais para o combate à fome. Sem as idéias da organização social e sem o sentimento de fraternidade, não há como multiplicar as provisões. Ao contrário, perde-se até mesmo o que se tem. Fazer tudo com decência e ordem, ensinou-nos Paulo de Tarso. Método e Altruísmo, eis os ingredientes do milagre. A Fome na Terra pode ser combatida com a organização social e com o estímulo à fraternidade, à solidariedade, à filantropia. A regulamentação da assistência, através de um Serviço Social científico, base de todo trabalho social atual, converte sobras, fartura e opulência de alguns, na sobrevivência de muitos. Jesus aliou o amor ao próximo à caridade da palavra. Saciou a fome daquele público, mas ofereceu-lhes também normas de bem viver, estratégias de uma ética superior. Ensinar os famintos a viver e descobrir que existe fome além da necessidade de saciar-se, além da saciedade gástrica. “A gente não quer só comida...”, já dissera o Arnaldo Antunes, dando uma dica de que o povo quer arte, alegria, amor. Jesus disse isso! Ensinou aos que alimentam o corpo, a alimentar também as suas almas. Quem tem a fome mitigada, pode pensar melhor. Quem pensa melhor, pode sentir melhor. Quem sente melhor, pode agir melhor. Quem age bem, vive melhor e faz outros viverem melhor e promove a criação de uma corrente do bem que só tende a alimentar o círculo virtuoso. Existe um alimento que não se dissolve na bioquímica da assimilação digestiva: o amor! Jesus quer a Justiça aliada à Bondade. E quer uma bondade operosa, dinâmica e criativa. Essa é a equação mais simples e a mais difícil de ser solucionada em nosso mundo. O mundo governado pelo egoísmo. As teses do sistema econômico capitalista vicejam numa sociedade arcaica. Plantemos os ideais de um mundo novo, através da aplicação do princípio social do Evangelho.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

sábado, 6 de junho de 2009

Verônica, a Hemorroíssa (Monitor 30/05/09)



Para uns se chamava Berenice.
Verônica para outros.
De alegria cativante, esta mulher,
Secou a lágrima de um enfermo e disse:
-Coragem amigo, pois nosso Deus é esperança.
Agia assim desde criança.


Casou-se com jovem construtor.
Tiveram um filho, fruto de amor.
Entretanto, um tumor
Causou-lhe prolongada hemorragia.
Além de terebrante dor,
Era uma doença que lhe constrangia.


De acordo com a legislação,
Tornara-se toda impura.
Nada mais ousasse tocar.
Estava sob tremenda maldição.
E esse seu mal não tinha cura.


De longe viu o filho a crescer
Sem poder amamentá-lo.
Ansiava ao colo tomá-lo.
Sonhava o esposo ter.


Todavia, a tradição
Expressa na Torah,
Enquistou-a em seu lar,
Oprimindo-lhe o coração.


Impedida de o filho criar
E de ser uma esposa de fato,
Assistiu seu esposo a deixar,
Não mais viu o recém nato.

Percorre uma via crucis:
De esculápio a esculápio.
Muitas promessas à infeliz,
De louco, charlatão e larápio.

Alijada do convívio social,
Nunca era vista nas ruas.
Absorvida em seu próprio mal,
Nem família e casa eram suas.

Decretada impura pela religião,
Dos velhos profetas de Israel.
O Levítico relegava-a a solidão,
Pois dizia que seu toque era fatal,
Inoculando tudo que alcançasse,
Com os miasmas de seu mal.

Ventos lhe trouxeram, entretanto,
Notícias de um taumaturgo
Que corria as estradas empoeiradas
Da Judéia, Galiléia e Samaria.
Curou Bartimeu, restaurou Maria,
Levando, assim, a paz a cada burgo.

Bem afamado este profeta se tornou.
Ensinava o homem a ser como criança.
Levantava os caídos falando-lhes do amor.
Esse santo, então, concentrou sua esperança.

Avistou-o, enfim, um dia.
Seria verdadeira a imagem que via?
Um homem irradiando tanta luz!
Seria a solução de seu destino
Aquele fogo no seu mediastino?
Disseram a ela que seu nome era Jesus.

Mas como apresentar-se a ele?
Como falar-lhe do seu mal?
Iria transgredir a lei e o tribunal.
Tocaria o manto dele,
E sararia afinal.

Aproximou-se pela retaguarda
Movida por coragem e tanto.
E por uma abertura nada larga,
Tocou a orla de seu manto.
Foi então que sentiu atravessar seu dorso
Uma força que desconhecia.
Algo que um de nós, hoje, diria:
-Foi uma corrente elétrica
Que lhe alcançou todo o corpo,
Deixando-lhe extática.

Após esse indescritível frenesi,
Percebeu um misto de harmonia
Com o tremor que ainda sentia
Dentro de si.

Secara-lhe a fonte da hemorragia
E antes que pudesse afastar-se dali,
Jesus pára e desconfia
Que alguém o tocara ali.

Diz Pedro, o primeiro do time:
-Como saber? Se a multidão o comprime?
Mas sabe Jesus a que alude,
Pois viu e sentiu de si sair
Uma virtude!

Temendo e ainda tremendo, a ex-hemorroíssa,
Arriscou um julgamento com sua confissão.
Disse, prostrando-se no chão:
-Fui eu Senhor, cometi uma injustiça?

Falou Jesus, todo bondade:
- Verônica, minha filha,
Esteja curada de tua enfermidade.
Sei que sabes quem eu sou ,
Mas creia que a verdadeira maravilha
Foi tua fé que te salvou!
.
.
.

terça-feira, 26 de maio de 2009

SAUDADES DA MARIANA SELL


Conheci um dia a história de uma menina chamada Mariana. Desde muito pequena, ela amadureceu sob o estigma do sofrimento. Conhecendo bem o seu Pai e nutrindo por ele admiração e respeito, transferi à pequena, um inexplicável afeto, apesar de não a haver conhecido pessoalmente. Essa menina chegou à idade adulta e sempre que eu escutava algo sobre os seus muitos sucessos, uma emoção feliz me invadia. Nunca estive, repito, diante dela, mas hoje, revendo suas fotos, guardo a ligeira impressão de que a conheci alhures. Ser amigo de seu pai, o Dr. Luís Carlos Sell, um homem íntegro, médico humanista e dotado de senso de justiça, faz-me perceber o porquê desse estranho déjà vu. É que você Mariana, é também essa pessoa que ainda tem aquele velho hábito de colocar o coletivo acima do individual. E eu disso tenho certeza por tudo que eu tenho lido e escutado sobre este ser encantador. Todavia, eu guardo uma íntima convicção. A grande biologia cósmica não elaborou um ser tão especial como você para se extinguir na sombra da morte. E essa é a minha certeza inquebrantável: Mariana você vive! E tenho plena consciência também de que as potências de sua alma ainda nutrem a sua individualidade. Uma forma de individualidade a qual ainda não nos é possível entender. Médicos que lidam com a linha fronteiriça da vida, escutam coisas que são descritas como experiência quase morte. Alguns crêem que é o caminho para demonstrar a sobrevivência da alma. Os caminhos da fé apontam para a supremacia da alma sobre a morte do aparato físico. Queria dizer a você, Mariana, que eu também já senti a dor da separação algumas vezes. Não a senti, entretanto, do modo abrupto como a dor dos que de alguma forma te perderam. Eu tive notícias dos meus. E isso fez crescer em mim uma virtude que eu não tenho naturalmente, mas que cultivo racionalmente: a Fé! É por isso que gostaria de dizer a você: Não descanse Mariana! Não repouse! Não permaneça em eterna contemplação! Pois a partir dessa certeza íntima, dessa convicção de sua superexistência quântica, para além das circunvoluções dos elétrons, tenho também a impressão de que você certamente estará trabalhando, correndo, agindo, entrando em contatos novos, conhecendo e re-conhecendo muitos outros dos que estão hoje na dimensão em que agora você vive. Portanto, Viva, Mariana! Permaneça ativa! Continue estudando, buscando novas alvoradas, vivenciando a liberdade e o amor. E cresça na Glória de Deus, convertendo a saudade dos que te amam em entusiasmo de vida.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br

sábado, 23 de maio de 2009

O MÉDICO E A RELIGIÃO Monitor Campista 16/05/2009



Tem direito um médico de falar sobre espiritualidade em seu consultório?

É anti-ético considerar a necessidade de vida espiritual de alguém que sofre? Pode o médico sugerir uma reconciliação? Aprendi que a saúde é um completo estado de bem estar que envolve não apenas o corpo, mas a mente, a vida social e a vida espiritual. Saber como anda a espiritualidade de um paciente é fundamental. Uma pesquisa publicada numa revista americana (Archives of International Medicine, agosto de 1999) questiona o público sobre o quesito religiosidade na consulta médica. “Você acha que seu médico deveria obter informações sobre sua religião?” Sim: 66%. Não: 34%. “Você concordaria que seu médico fizesse uma oração em uma consulta?” 19% Sim, numa consulta de rotina; 29% num contexto de internação; 50% numa situação de morte iminente. Por outro lado, a prevalência de temas relacionados à espiritualidade, à culpa religiosa, a assuntos místicos ou paranormais faz, de todos os que sofrem, necessitados de conforto emocional, de paz de espírito e de conhecimento das leis da vida. O médico não precisa necessariamente ter fé. Entretanto, ele pode e deve saber que o paciente que tem fé tem melhor prognóstico. Na revista “Psiquiatria na prática médica”, da Unifesp foi publicada uma entrevista com 34 mil pessoas revelando que a prática religiosa produz um estado de alegria e bem estar emocional. Sugerir a um deprimido buscar uma religião não é proselitismo. O médico não deve indicar a religião “a” ou “b”, mas pode sugerir que se busque uma religiosidade que complete o seu vazio existencial. Se para muitas pessoas que tem ansiedade, o exercício físico é considerado uma renovação de energias. Se para estes, o trabalho é também uma fonte de oxigenação da mente. Se o convívio social salutar é reconhecidamente uma necessidade. Se a arte, a criatividade, o saber científico, são notadamente aspectos fundamentais para a integridade psicológica de todos nós. Como não reconhecer que para alcançar a tão almejada felicidade, necessitem algumas pessoas da transcendência? Indicar a busca dessa transcendência aos que estão oprimidos não é empregar a religião como muleta, mas reconhecer que ela faz parte de nosso inconsciente. O homem primitivo reverenciava a natureza. O homem moderno precisa reverenciar algo e ter o sentido do sagrado. Isso vai conferir plenitude à sua vida emocional. Ser completo não é apenas ter amigos, emprego e fazer exercício, é também sentir que o universo pode pulsar dentro de cada célula de nosso corpo através de uma oração.
Flávio Mussa Tavares
fmussa@mcampista.com.br