sábado, 5 de setembro de 2009

CANÇÃO DO AMOR AO PRÓXIMO




Esta foi a coluna gentil da amiga Patrícia Bueno sobre o Coral da Fraternidade, que a minha filha Juliana ensaia na Escola Jesus Cristo aos sábados com os nossos companheiros da comunidade que comparecem ao Culto da Assistência.

Fica aqui a minha gratidão sincera a Patrícia.


A música, parceria de Charles Chaplin, G. Parson e J. Turner, já podia ser ouvida da calçada: “Sorri, quando a dor te torturar e asaudade atormentar os teus dias tristonhos, vazios...”.

Cumprimentei o porteiro, sentado em um pequeno banco, ao lado do portão, esegui em direção ao local do ensaio. Na medida em que me aproximava, o som ia ficando mais intenso:

“Sorri, quando tudo terminar,quando nada mais restar do teu sonho encantador...”.

Essa música sempre me emociona. Contive algumas lágrimas teimosas e olhei ao redor. O lugar é amplo e bem modesto. Chama-seTeatro Casimiro Cunha, mas bem que poderia se chamar Teatro Fênix, pois já sobreviveu a um incêndio.

Do local que um dia já foicinzas, a música saía do teclado de uma jovem regente que, com movimentos suaves, conduzia o pequeno grupo, formado quase quetotalmente por mulheres. São donas de casa, acompanhadas de seus filhos; pessoas humildes, em busca de atenção e auxílio. Tratei de me acomodar entre elas, meio sem graça. Mas a líder do grupo logo se aproximou com uma pastinha vermelha. Nela estavam as letras das músicas, para que eu também as acompanhasse. Na verdade já sabia a letra de “Sorri”. Mesmo assim, sorri e agradeci a gentileza. Enquanto folheava a pasta, com letras religiosas e populares, reparei em uma senhora, no finalzinho da fileira do canto. Trajava roupas surradas e se esforçava para segurar muitas sacolas plásticas, com alguns trapos. Era uma dessas pessoas invisíveis aos olhosdos poderosos.
Aparentemente alheia ao que se passava ao seu redor, talvez nem tenha se dado conta do conselho do Rei do Cinema Mudo:
“Sorri,quando o sol perder a luz, e sentires uma cruz nos seus ombros cansados, doídos...”.
No meio do Coral Virgílio de Paula, pude ouvir a voz da fraternidade.
Lá, todos são bem-vindos. A música é mesmo uma das expressõesda alma.Ao final, um pouco da palavra de Deus.
A parábola do filho pródigo foi um convite à reflexão na tarde de sábado. Para fechar, aregente pediu que os componentes sugerissem uma música:
Sorri! — falou em voz alta um senhor de olhos tristes que chegara atrasado.
Era visível sua emoção ao ouvir a canção.
Ele fechava os olhos, sentia a música e... sorria, afinal,
“ao notar que tu sorris todo mundo irá supor que és feliz.”


Patrícia Bueno


(Monitor Campista- 02/09/2009)

3 comentários:

Pedro disse...

Posso dizer apenas que sinto-me comovido e muito emocionado com estas palavras...

Patrícia Bueno disse...

Eu é que agradeço, sempre! E, Pedro, que bom que despertei tais sentimentos com minhas palavras. Isso é muito gratificante!
Abraços carinhosos...

Jane Nunes disse...

A Patrícia é mesmo cintilante. Pura Luz!