segunda-feira, 1 de março de 2010

A circuncisão na ótica de um bebê judeu


"Sempre que ouço aquela música do Chico, "ó pedaço de mim, ó pedaço arrancado de mim", me bate uma deprê braba.

Lembro da minha infância e acabo voltando no tempo. Estava eu deitado no meu bercinho, ainda com uma semana de vida, quando começou a chegar gente em casa. Era dia de festa. E festa de judeu lembra muito reunião do PSDB: só tem tucano. Cada nareba que não tem mais tamanho. Mamãe convidou só 30 pessoas, mas como era boca livre, veio judeu de tudo quanto foi canto.

Se mamãe cobrasse ingresso, corria o risco de nem o papai aparecer. Não precisa dizer que os presentes não trouxeram presentes. Metade esqueceu em casa e a outra metade disse que não tinha dado tempo de comprar. Coisas da religião. Cada um que chegava, vinha até o meu bercinho. Quando se abaixavam para me ver mais de perto, virava um autêntico ataque do exército israelense. Contabilizei pelo menos umas 30 narigadas na barriga. Em vez de olharem para os próprios umbigos, vinham olhar pro meu. Acho que era por causa da "faixa de gaze".

De repente, se fez o silêncio. Um ser estranho, trajando um terno preto pra lá de surrado, com barba até a cintura, chapéu e cabelo ponhonhóin dos lados adentrou a sala. Parecia o Capitão Caverna na versão judaica. Ele veio na minha direção. Tirou um bisturi reluzente. Ficamos frente a frente. Ele, o lobo mau, e eu, o solidéu vermelho. Para que esse nariz tão grande, perguntei. Por uns segundos, cheguei a pensar que mamãe tinha resolvido fazer uma plástica no meu nariz que, com menos de uma semana de vida, já era avantajado. Mas o negócio era mais embaixo. Bem mais embaixo. Ele tirou a minha fraldinha descartável, que mamãe tinha acabado de colocar, e eu gritei, abri o berreiro: "Tira esse Michael Jackson ortodoxo daqui! Esse comunista judeu quer comer criancinha!!! E no rabino, não vai nada?"

Apesar de tanta tecnologia, Buááááá não vem com legenda. Não sei por que ainda não inventaram uma tecla SAP para bebês. Parti então para a minha última tentativa: um ataque com armas químicas. Soltei duas bombas de efeito moral. PUM! PUM! Mas o bigode do sujeito cobria o nariz como uma máscara antigases. Ataquei com meus jatos poderosos, mas o xixi não conseguiu furar o bloqueio da barba blindada do velho. Não teve jeito. O Jacozinho virou o Jacozinhozinho. Vai entender o que esse povo tem na cabeça, além desse chapeuzinho medonho? Em vez de sacrificarem uma galinha como na velha e boa macumba, eles sacrificam o pinto. Cortaram o meu pausówsky, meu penisberg. Ficou só o "cara". O "lho" foi-se. Uma parte de mim estava agora que nem pinto no lixo, literalmente.

Depois de circuncidado, passei a entender o porquê daquele muro das lamentações. Eu, pelo menos, lamento até hoje. Ó pedaço de mim..."

Sammy Lachmann

3 comentários:

Rosângela, uma das danielas timóteas disse...

Interessantíssimo... restrições ao finalzim..kkkk

Jesus circuncidou meu coração, sabia? hehe

Um abraço, dr Flávio...

Brand Arenari disse...

Caro Flávio,
Respeito muito vc e suas idéias, concordamos em muita coisa, inclusive na indignação contra o que o Estado de Israel tem feito aos palestinos. Não tenho a menor dúvida que o Estado de Israel comete crimes terríveis contra a humanidade, muitos deles similares ao que judeus sofreram na Europa no auge do nazismo. Por isso acho que é um dever dos homens de bem denunciar o que faz e tem feito o Estado de Israel (digo o Estado de Israel, não os judeus), como também lutar contra isso com as armas que estiverem na nossa mao.
Porém, acho que esta sua postagem, municia os judeus comprometidos com o seu Estado da arma que eles usam para defender os crimes que cometem, e essa arma é a vitimizacao. Israel usa o holocausto e os preconceitos contra os judeus como um “salvo-conduto” para praticar qualquer crime e impor seus interesses. Post como este, mesmo sendo escrito por suposto judeu, alimentam essa verve.
Afinal, como muito bem disse Ahmadinejad (a imprensa do ocidente mente sobre quem é Ahmanidejad): “não temos nada contra os judeus, eles são nossos irmãos mais próximos, somos contra os criminosos que se apossaram do Estado de Israel.”
Um grande abraço.

Flávio Mussa Tavares disse...

Oi Brand.
Concordo com você, mesmo por que sou palestino-libanês e isso é uma honra para mim.
Mas conheço o autor do artigo por intermédio de um médico, amigo comum e gostei do seu bom senso de humor e seu fair-play com a vida.
Abraços.