sábado, 18 de outubro de 2008

A Correção de Avelino Ferreira

Tive  a honra de receber a visita em meu humilde blog do Professor Avelino Ferreira que fez-me algumas correções históricas que além de publicar como coment´[ario, resolvi postar novamente para deixar bem claro os pontos.
De qualquer forma, o exemplo de Luís Carlos Prestes é de grandeza.
Que Deus o abençoe por isso.

Vamos à carta de meu amigo Avelino Ferreira:

Caro Flávio,

Minha admiração e respeito!

O texto é interessante, mas gostaria apenas de uma correção histórica. Aliás, uma meia correção. O prestes subiu no palanque de Vargas em 1945 (sua esposa hvia sido morta na câmara de gás dois anos antes), quando saiu da prisão, aliando-se ao presidente que declarara guerra ao eixo. Sua atitude não foi bem recebida pelos comunistas, que o acusaram de adesista, vendido etc.. Mostrou, naquele momento, sua grandeza de homem público. A pátria e a liberdade importavam mais naquele momento que a dor que sentia e a repulsa ao governante responsável pela tortura e morte de sua esposa (e quase também de sua filha). Em 1947 foi eleito senador por vários estados. Em seguida, no governo Dutra, que se elegeu com apoio de Vargas, o Partido Comunista foi cassado e toda a bancada de senadores e deputados destituída. 

2 comentários:

Flávio Mussa Tavares disse...

Obrigado, grande Ferreira.

PEDRO POKEMON disse...

Caro Flavio,
Recebi, subscritada por meu amigo Chico Aguiar, a sua carta enviada ao jornal O Globo, na qual revela toda sua indignação com a decisão da direção do diário de suspender o encarte do Caderno Dois ou coisa que o valha, para os assinantes e leitores campistas.
Sobre o assunto, não tenho muito o que dizer. Não sou leitor de O Globo que sempre foi, para mim, símbolo do periódico feito para os medíocres que trabalham a semana inteira, sempre pensando no bem de si próprio e dos seus, com um compromisso religioso de fazer uma caridade ou outra para ganhar benefícios após a morte e, aos domingos lêem o Caderno de Domingo. Não é este o seu caso e é justamente por nunca ter feito uma idéia de seu caráter e de sua postura que beirasse a mediocridade é que há muito sou seu admirador. Aliás, essa admiração sempre foi um sentimento que tenho quanto à sua mãe e que, com o tempo, passou a abranger também você e seu irmão. E é justamente pela idéia que faço de você, repito, de um homem de caráter e que se torna pessoa no dia-a-dia, por meio de ações que um apenas homem não promovem, mas sim, uma pessoa, é que escrevo esta.
O fato é que a decisão de um jornal de retirar seu Caderno de Cultura para leitores de uma dada região pode até merecer repúdio na esfera da eqüidade, pois um produto, ao ser negociado por inteiro, deve ser entregue por inteiro ao comprador. Caso contrário poderá ser alvo de uma ação na Justiça que, às vezes, funciona em prol do Direito. Todavia, se o consumidor é avisado que o produto lhe será entregue faltando um pedaço, caso seja adquirido, então resta ao comprador aceitar ou não a oferta. Não sei se é esse o caso de O Globo.
Porém, indignar-se publicamente, com ameaças infantis de que a empresa jornalística sairá perdendo, tipo “vocês verão o que vai lhes acontecer”, é descabido no caso em tela. Apelar para a posição social e econômica que o sistema lhe permitiu desfrutar, dizendo que é da classe A, B ou C, como a externar: os leitores de O Globo em Campos, ao contrário do que pensam os senhores, são da classe alta, da classe média alta e da classe média média, é revelar aos outros a fraqueza de argumentos; é dizer claramente que a plebe rude é constituída de animais que servem apenas para manter a máquina azeitada e atuando em troca de míseros trocados para que o topo da pirâmide exista para sempre; é deixar claro que, enquanto no cotidiano finge aceitar o próximo como igual, na verdade, no íntimo, acredita ser diferente, como que um privilegiado (e é obviamente, porque o capitalismo permite a exploração da maioria para que uma minoria tenha uma boa vida). Mas então, por que usar uma máscara para que o outro o veja como igual? Falácias...
Alguém que necessite de “estar por dentro” do mundo cultural e só tem o jornal O Globo para informações e sugestões do que ver, ouvir, ler, etc., precisa urgentemente refazer seus conceitos. Aliás, o mundo da informação esconde o que realmente é importante no que tange a arte e a cultura. Não é à toa que é o mundo das médias, ou mídias. Aliás, da mass-media, do conhecimento (coloque um aspas em conhecimento) do cidadão mediano.
Tanta indignação não se vê nas mentes dessas classes A, B e C quando a corrupção campeia na nossa cidade, sempre em detrimento dos infelizes explorados do sistema. Raras foram as cartas publicadas em jornais de gente indignada com o enriquecimento ilícito de tantos detentores do poder nos últimos oito anos. Raras foram as vozes dessas classes A, B e C que se pronunciaram em praça pública contra o poder político local e contra a complacência do poder judiciário (para não dizer conivência) para com os ladrões do nosso dinheiro. Raras foram as vozes indignadas com o assassinato do nosso movimento teatral em ações que beneficiaram uma política anticultural, de espetáculos de valor artístico e cultural duvidoso que também serviram para encher as burras de alguns com o dinheiro público.
Indignar-se com quem ou o que está longe, é fácil, cômodo. O difícil e que, muitas vezes, causa problemas, é indignar-se e externar essa indignação com quem ou o que está próximo. Nunca ou raras vezes (quero acreditar mais no nunca) alguém escreve uma carta aos jornais de Campos, por exemplo, para externar sua indignação com a mesmice. Isso para não falar da conivência com o ilícito. Os cadernos culturais dos jornais de Campos raramente trazem algo que valha a pena ser lido. Não pelo assunto tratado, mas pela forma como nossos preciosos jornalistas tratam o assunto. À exceção de Orávio de Campos, que foi forçado a demitir-se, não há alguém pensante escrevendo matérias culturais. E não sei de protestos das classes A, B e C. As demais, da plebe rude, não contam, não é mesmo? Que poder intelectual ou econômico pode existir nas demais classes que não sejam as A, B e C?
Para não gastar seu precioso tempo com tudo aquilo que você já sabe, até porque nada tenho a lhe dizer, pois sou da plebe rude (sequer consigo o suficiente para sobreviver, aliás, há anos vivo de esmolas), concluo esta carta que me dói escrever dizendo que cultura não se adquire lendo O Globo. Portanto, seu dizer é inócuo, perde o sentido e há o risco de cair no ridículo ao tentar encetar uma campanha contra o jornal pelo motivo alegado.
Chico Aguiar, pessoa que admiro não é de hoje, deveria envidar esforços para arquitetar um protesto histórico contra o estrago que o Governo ao qual ela apóia e participa faz na cultura de Campos. Deveria envidar esforços para que os jornais de Campos tenham um caderno de cultura à altura de nossas tradições. Deveria envidar esforços para que a Fundação Cultural na qual ela atua como assessora tenha uma publicação mensal de nível cultural elevado. Aí valeria o protesto, a indignação. O resto é falácia. Indignar-se porque o jornal O Globo, por razões puramente econômicas, não enviará mais seu caderno de cultura para regiões interioranas, é fazer coro com as pessoas que gastam o tempo escrevendo bobagens na Internet.
É o que eu tenho a dizer em relação ao seu dito. Até porque, se seu dito continuasse na esfera do não-dito, eu nada diria. Mas se foi dito é para que alguém (neste caso, eu) também diga.
Avelino Ferreira
Membro da base da pirâmide social e que luta para que não haja mais
classes, sabendo que uma sociedade sem classes é utopia, pois as A, B e
C de todo o mundo jamais permitirão que tal sonho se torne realidade.